quarta-feira, 4 de março de 2009

Dez poemas de amor, 10 de 10


Flor que sobrevive à tempestade,
Flor que emerge a cada novo raio de sol,
Introspectiva, guarda dentro de si,
Numa esguia gota de orvalho,
Todas as cores do arco-íris.

O amor também é uma flor,
É preciso chegar a ela,
É preciso deixá-la crescer.

O amor foi feito para durar,
Assim como o arco azul da promessa,
Assim como o brilho noturno do céu.

E lilás não é apenas a cor da despedida,
O amanhecer confunde-se com o anoitecer,
Quando se ama tudo é inefavelmente belo,
E o sol se pondo e a lua nascendo todos os dias,
Vistos pelos mesmos olhos, nunca mais serão os mesmos.

O coração, rosa sanguínea,
É sempre o mestre de quem ama,
E hoje ele me diz que amar,
É ter em meio a escuridão da incerteza,
Uma chama sempre acesa.



Foto: nebulosa "Rosa Vermelha"

Dez poemas de amor, 9 de 10

Vê-la a todo instante,
Sentí-la a todo momento,
Vivo de um amor prestante,
E de um lindo sentimento.

Poder um dia ter chorado,
Sobre os escritos de um poeta crente no amor,
Faz com que me sinta pela vida privilegiado,
Por ter você e não mais a dor.

Poder um dia ter te amado,
Faz sentir que parte de um mortal será eterna,
Não temer o destino ao qual estou fadado,
Pois dessa inevitabilidade o amor me liberta.

Poder um dia ter te abraçado,
Como a lua pela noite é abraçada,
Com igual afinco só se abraça a pessoa amada.

Poder um dia ter te beijado,
Como o céu, no horizonte, beija o mar,
Faz sentir que como eles, sempre vamos nos amar.

Poder um dia ter desejado,
Te roubar do mundo a cada amanhecer,
À noite assistir as estrelas ao teu lado,
Me faz pensar todo dia: Amo você!



Dez poemas de amor, 8 de 10

Beyond the horizon, there’s a place where love thrives...
The love that the eyes can't reach,
The love that keeps the sky´s flames alive,
The love that is beyond the space and time.

Beyond the horizon, there’s a place where love shines...
The love as the curse to the darkness,
The love as the enemy of the gloom,
Always sending light to shine in the moon.

Beyond the horizon, there’s a place where love arises...
A poet's sunset gives birth,
A new sunrise comes,
Happiness that moves the Earth.

Beyond the horizon, there’s a place where love surprises…
The dimension where my heart happily met,
Your eyes, your feelings, your bridges,
As the destiny´s last trap.


Dez poemas de amor, 7 de 10

É sob o teu signo que as primaveras prevalecem,
É na tua figura que a beleza se emoldura,
É no teu nome que os sentimentos se enaltecem,
É no teu coração que o amor perdura.

Por todo o espaço de felicidade que me conduz,
Resguardando-me no mundo perfeito de teu sorriso,
Sinto a vida a oferecer ao amor o que é preciso.

Como um sol poente perto do anoitecer,
Que apressado do horizonte se aproxima,
Perto de ti chego a correr,
Na direção de minha amada, de minha sina.

Que tu legasses a mim um único olhar,
Pois que nele o universo eu poderia edificar,
Para viver assim onde sempre desejo estar.

Dez poemas de amor, 6 de 10

Nem mesmo Kierkgaard, mestre da subjetividade,
Imaginaria o que é você para mim,
Talvez tua realidade seja a inconfundível feminilidade,
De um ser insólito, porém afim.

Por ocasião conspirada do universo que nos cerca,
Numa noite, tua resolução à minha se juntou,
Como os pássaros de Goethe no interior da floresta,
Que, enternecida, os envolveu e os silenciou.

E penso que com o mesmo intento,
Levando somente meu sonho esvaído,
Cheguei até você, saído do vento,
Cogitando se ambos procurávamos abrigo.

A realidade endossa o que o coração indica,
Sou prisioneiro cativo de uma pergunta sem resposta,
Há somente minha arte, a salvo da dialética da vida,
Fluo sem Heráclito pelo caminho da margem oposta.

Tua expressão no horizonte da vida,
É uma nova constelação a ser admirada,
De acordo com Allan Poe, a inaudita,
A forma poética ainda não-delineada.

Minha fortuna é condensar toda singular vivência,
Como o ser mítico que planta o orvalho nas flores,
E chora às madrugadas como o poeta na ausência,
Daquilo que traz à vida, as novas cores.

Conhecer a solidão inerente a cada instante,
Revoltar-se profundamente contra a temporalidade,
É o preço justo a se pagar pelo estimado semblante,
Do alguém para o qual se deseja a plena felicidade.

Mesmo que a mim fosse terminantemente proibido,
Não tenho mais escolha, depois de ti sou o inverso da calma,
A exemplo de Neruda farei o que eu lhe digo,
De minha boca chegará até o céu o que era adormecido em sua alma.


















Pintura: "Quatro árvores numa paisagem de outono" de Vincent Van Gogh

Dez poemas de amor, 5 de 10


Se é na aurora que lhe encontro entre os primeiros raios,
É no crepúsculo que lhe procuro entre os últimos pássaros,
Que fogem dos tentáculos da noite rapidamente,
Tal qual a estrela que enrubesce o poente.

Noite adentro guia-me a imagem do teu olhar,
Mais solene que o brilho da lua sobre o mar,
Afunda-me no abismo oceânico do onírico e misterioso,
Me flagro estático a contemplar o belo e harmonioso.

Por ti, o tempo não se expressa em manhã, tarde ou noite,
Todas as faces de um dia assumem um sentido imutável,
Nos meus pensamentos de quanto sua existência é adorável.

E na saudade, produto da distância entre nossas mãos,
Penso que estamos próximos em pensamento e sentimento,
Prontos a nos conquistar momento após momento.

terça-feira, 3 de março de 2009

Dez poemas de amor, 4 de 10

Light days are always happy,
So the stormy ones can be,
If you stay here in fact,
By my side, following-me.

Every day can be enlightened,
Your smile is a morning seed,
Dark clouds never subsisted,
Because in light you always keep.

In search for the heart of life,
Your eyes were perfectly made,
To show me love is the guide,
That leads directly to my fate.

For the Sun to shine my path,
And the Moon to cover my mysteries,
In your direction I always declare,
That for my love I have no secrets.

Easy is to notice from the heart,
When I feel and also admire,
That I live with no other thought,
Than to love you all the time.

Dez poemas de amor, 3 de 10

O mesmo caminho se repete,
Trilhado pela mesma luz e sombra,
Trilhado pelo mesmo ávido olhar,
Já não mais reduz-se à trivialidade.

O horizonte reclina-se perante o senhor da luz,
Verdejantes irrupções se lançam em direção ao céu,
Espíritos ardem sob os raios da púrpura verdade,
Buscam nos azuis os oásis etéreos.

Intrépido navegante da vida,
Busco na constelação do teu olhar,
A orientação para que possa achar,
A direção e o caminho dos ventos que conduzem ao mítico amor.

O sopro, as grafias, dispersam,
Meus pensamentos, meus sentimentos, meu amor...
Abrigo ainda a esperança que minha poesia e decerto eu,
Cheguemos às docas de seu olhar e ao porto de teu coração.



Dez poemas de amor, 2 de 10

Building , sun , behind,
Different , feeling , inside.

Lamp , more , city,
Smog , front , pity.

Highest , sky , thunder,
Greatest , warrior , under.

Song , night , moon,
Soul , warm , soon.

Dez poemas de amor, 1 de 10

Da mente que faz planos no campo silencioso dos pensamentos,
Do coração que sonha a vida resumida a belos momentos,
Não poderia ter sequer lampejado a possibilidade desse evento.

O tempo vai, o vento vem, mas somente a vida pode trazer,
Aquilo que surpreende e faz o homem um poema escrever,
Pensando o próprio destino já escrito enquanto ouve um dizer:

“Das palavras que desde o início, impunemente se desamarraram,
De todos os versos que de ti floresceram e ao mundo se lançaram,
Um dia se revelará a verdadeira figura humana a qual se endereçaram.”

O mundo me faz acreditar na voz surgida dos ecos de sua presença,
Comprovada nas madrugadas em que os versos chegaram sem pedir licença,
Fazendo de cada bela palavra inscrita na alma, mais que uma simples crença.

Correr os olhos sobre o passado enxergando nele o próprio futuro,
Fez concluir que revelador é o caminho da poesia, ainda que obscuro,
Que belo é o amar, porém que se colhe o amor somente quando está maduro.

Como expressar a beleza refletida na retina dos olhos que te assistem?
Como explicar os fatos aos saudosos pensamentos que insistem
Em regressar ao instante em que te encontraram para que lá fiquem?

Todo conhecimento do mundo é ainda insuficiente para esclarecer porque te vi,
Porque vejo nuvens desenharem o teu rosto até onde o horizonte pode ir,
Lembro de teus olhos em meio a constelações que nunca chegaram a existir.

Não é maior sua presença que a tua ausência , nem amena a saudade,
Ao lado te ter para após um breve adeus suscitar uma secreta vontade,
De romper com a noite do tempo deitada entre meu olhar e tua imagem.

Por vales, montanhas, desertos e oceanos, soberana a vida caminha,
Assim foi o trajeto ao seu encontro, guiado por tão grande sabedoria,
Tão certo quanto o inexorável nascer da estrela que ilumina o dia.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Soneto para uma mulher especial - para Andrea

Estava certo Vinicius, poeta da paixão e do amor,
Quando dizia que na mulher havia algo de flor,
E Neruda já advertia, depois desses olhos teus,
Seria breve o reencontro e longo demais o adeus.

Goethe indagaria como haveria de ser possível,
Uma rosa permanente ? Um rouxinol inconcebível ?
Allan Poe acrescentaria: “és o porto onde o brilho se deposita,
O crepúsculo, a verdadeira morada da poesia inaudita.”

Bela em ações, nobre em virtudes e infinita em faculdades,
És a fagulha que provoca o clarão na dimensão além do observável,
És a essência que adorna a existência da maneira mais adorável.

Misteriosa como a bruma e ilustre habitante dos sonhos,
És emoldurada em humana forma, perfeita como nunca houvera,
És a mulher agraciada com o perene sopro da primavera.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Zonas mortas nos oceanos - um dado alarmante

Se nada for feito para enfrentar o problema do aquecimento global, em breve os oceanos começarão a sufocar. Um estudo publicado no último domingo (25/1) na revista Nature Geoscience verificou um aumento considerado dramático na quantidade de zonas mortas nos oceanos, áreas com tão pouco oxigênio que não permitem a sobrevivência da vida marinha.
Essas zonas podem ser causadas pela contaminação da água por causa do uso excessivo de fertilizantes ou pela queima de combustíveis fósseis. Mas, enquanto zonas costeiras mortas podem ser recuperadas pelo controle no uso de fertilizantes, as áreas com pouco oxigênio, resultantes do aquecimento, podem continuar sem vida por até milhares de anos.
O estudo foi feito por pesquisadores da Dinamarca, que apontam uma expansão de zonas mortas por uma potência de 10 (o número atual vezes 10 bilhões) ou mais nos próximos 100 mil anos. Estima-se que atualmente existam mais de 400 zonas mortas nos oceanos.
“Se, como muitos modelos climáticos apontam, a circulação nos oceanos se alterar e enfraquecer por conta do aquecimento global, essas zonas quase sem oxigênio expandirão grandemente e invadirão as profundezas oceânicas”, disse Gary Shaffer, do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhague, primeiro autor do artigo.
Casos extremos de depleção do oxigênio nos oceanos para um estado de anóxia são considerados candidatos importantes para explicar alguns dos grandes eventos de extinção em massa na história terrestre, como o maior deles, no fim do período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos.
Além disso, como destacam os pesquisadores, à medida que as zonas com pouco oxigênio se expandem, nutrientes essenciais são eliminados dos oceanos pelo processo de desnitrificação (perda de nitrogênio). Esse processo, por sua vez, altera a produção biológica nas camadas mais superficiais (e mais iluminadas) dos oceanos, com o aumento na atividade de espécies de plâncton que são capazes de fixar o nitrogênio livre.
O resultado, apontam os cientistas, são mudanças grandes e imprevisíveis no ecossistema e na produtividade dos oceanos. Outro componente para piorar o cenário é o aumento na acidez oceânica, promovido pelas maiores concentrações de dióxido de carbono atmosférico resultantes da queima de combustíveis fósseis.
“O resultado disso tudo é que o futuro dos oceanos como uma grande reserva de alimentos é incerto. A redução das emissões de combustíveis fósseis é necessária nas próximas gerações para limitar a atual depleção do oxigênio e a acidificação oceânica e seus efeitos adversos de longo prazo”, disse Shaffer.

O artigo Long-term ocean oxygen depletion in response to carbon dioxide emissions from fossil fuels, de Gary Shaffer e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em ww.nature.com/ngeo

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sobre uma noite



O assíduo exercício de vislumbrar as estrelas tem me surpreendido constantemente.
Hoje pude mais uma vez sentir-me infinitamente grato ao arquiteto pela natureza do universo. Somente uma mente perfeita poderia ter conseguido a partir de partículas elementares ou qualquer outra forma primordial ainda não concebida , gerar tal infinidade de elementos tão belos e imprescindíveis ao espírito humano.
Não me ocuparei de posicionamentos céticos , quando não agnósticos acerca da existência de uma entidade superior, apenas vou me ater a uma forma romântica a qual Descartes recorreu para tentar minimizar a inquietação a respeito do assunto. Certa vez ele disse:
“Se somos seres imperfeitos com mentes imperfeitas , como podemos fazer idéia de um ser perfeito ?”
Como já havia comentado das estrelas , seguirei dando às “pequeninas” o papel axial que elas merecem.
Por um instante, quando já havia me desvencilhado da luz artificial que me possibilitava domesticar a mente com a abordagem restritiva da matemática , sobre a cobertura da casa , vi as estrelas saltarem em direção ao infinito. Mas que bela visão ! Atônito em meio à escuridão , eis que o brilho faiscante das pequenas me trouxe um pouco a noção da eternidade. Saber que muitas delas nem estão mais lá e que mesmo assim continuam a brilhar , me inspira a viver e a tudo amar. Num lampejo dentro da alma a associação está feita , a natureza binária do amor-eternidade é despertada. A sucessão de associações é quase que mecânica , mas não deixa de despertar os mesmos puros sentimentos.
Apesar de visivelmente pequenas , as estrelas são infinitamente maiores que qualquer noção humana , assim como o amor também é. O que uma mera palavra amor pode significar ? Em forma análoga as estrelas, vemos no como algo pontual quando associado à uma palavra , porém sua natureza é infinita em extensão e significado.

Sobre uma manhã

Há dias em que acordamos iluminados.
Não importa se nesse dia, por circunstâncias da vida, presenciamos a mágoa, a injúria, a tristeza e a insensatez. A leveza da alma vence a densidade dos problemas e preocupações e nos traz um sorriso permanente por debaixo da pele da face.
Hoje foi um desses dias...
Acordei. O ombro esquerdo recostado na cama, as pernas minuciosamente paralelas.
Os olhos, semi-abertos, confiavam preguiçosamente o despertar aos outros sentidos.
Ouvi distante minha mãe, que amavelmente nos preparava o café da manhã. No entanto o som que me despertara não vinha de sua direção , tampouco a crescente luminosidade que adentrava o meu quarto. Um leve giro da cabeça posicionou o ouvido atento e os olhos já despertos sobre o ombro direito. Nesse instante o som difuso tornou-se claro o bastante para elucidar a origem e o motivo de sua existência.
Piava solitário um pássaro saudando a manhã.
Ainda retido na mesma posição, imerso na escuridão que aos poucos se desfazia , pude vislumbrar um feixe de luz que perfurava a fechadura de minha janela. Viajava livre e belo sobre o ar, tal qual um corcel sobre uma pradaria.
Não pude deter as mãos, desejosas do toque na radiante trajetória. A claridade escorrida das extremidades dos dedos precipitava-se novamente no espaço, pousando suavemente sobre o tapete do quarto.
Levantei.
Senti no ar, um cheiro de saudação. A brisa da manhã tudo envolvia, assim como o sonho que eu acabara de acolher no fundo de meus olhos.
Naquela manhã, os fatos não se traduziam em fatos, mas, em acontecimentos, que logo me levaram a indagar: - Que dia é esse, em que a natureza rege com perfeição o canto dos pássaros ? A luz invade meu quarto e meus pensamentos, transmutando-se em palavras ,música e sentimento. O que é isso senão a descrição do instante maravilhoso que nos ocorre todas as manhãs ?
Abri a porta.
Em instantes estaria esperando o transporte para a escola.
Cheguei atrasado, o ônibus já partia e mesmo reprimindo minha expressão, meu pai e meu irmão notaram em mim uma estranha felicidade.
Sobre meus olhos, as nuvens desfilavam, as tênues e afiladas folhas de uma árvore lançavam-se ao vento. Acompanhei atento o percurso de uma delas. Sob o signo daquela folha, poderiam ser escritos livros e mais livros...ou talvez uma sinfonia. Sim, a luz que percolava por entre os ramos daquela árvore , se representada em música poderia simular nos ouvidos um evento divino.
Depois de uma tarde igualmente surpreendente, chegou a noite. E quando o olhar já corria apressado acima do horizonte, concluí: "- Ah se a alegria desse dia pudesse ser quantificada , certamente eu também seria capaz de contar todas as estrelas deste céu."